Voo cego

A redação de Assertiva está manca. O conglomerado hispânico Telefoníca-Terra, primor de empresa de serviços dirigido por uma legião de engravatadinhos com MBA parou de funcionar aqui em casa. E de uma maneira peculiar…. Consigo acesso a qualquer página de qualquer site do planeta. Menos qualquercoisa.blogspot.com. Até mesmo consigo postar via blogger.com, mas não posso ver o que estou publicando.

O atendimento é de um despreparo ibérico, com rajadas ocasionais de vento brasiliense. O atendente do Terra entende menos de computação e internet do que a Fafá, minha assistente para housekeeping affairs. O sujeito não sabe o que é URL, domínio, DNS e proxy.

Depois de muita conversa fiada, ele disse que o problema era do meu navegador. Quando argumentei que ligara para todos os amigos e eles estavam conseguindo entrar nos blogspots, disse que o problema era do meu computador. Daí quando eu expliquei que já havia trocado de computador, disse que o problema não era com ele.

Após ouvir os salamaleques de praxe antes de desligar, recorri à Telefônica e seu serviço de suporte Speedy. Meia hora aguentando propaganda da espanholada e lá me atendeu a mocinha. Quando entendeu o tamanho da encrenca, me passou para a assistência técnica avançada — com mais dez minutos de espera, claro.

Me atendeu o Daniel. Bom sujeito. Esforçado, e entende melhor a coisa. Seja lá a coisa o que for. Testa daqui, testa dali, reseta a porta acolá, e nada. O próprio Daniel estava, digamos, baffled. Astonished. Desliga o proxy. Desliga o firewall. Reseta o modem, checa configuração. Agora volta tudo com dantes. E voa a toalha a partir do córner na lona ensangüentada.

Melhor — diz o Daniel — esperar mais 24 horas, porque, sabe, houve problemas com a rede desde terça e quem sabe… Se não voltar até amanhã, ligar de novo.

Consolo-me com a desgraça alheia, ao lembrar que o Walmir comprou um gato por lebre chamado Virtua. Há coisas piores sob o sol do que estatuetas de Quixote sobre mesas de executivos espanhóis.