Vida de brasileiro é moleza

É fácil falar em greve quando se tem um patrão explorador e malvado para garantir o seu dia jogado fora. Há quem seja seu próprio patrão e precise trabalhar todos os dias e mais um pouco, se quiser pagar as suas contas.

É fácil falar em greve quando não se é empresário neste país, que é quem vai arcar com o prejuízo causado pelas pessoas com as quais deveria poder contar.

É fácil dizer-se contra a reforma da previdência porque o difícil é dizer-se contra as aposentadorias do judiciário e do ministério público que você idolatra tanto.

É fácil torcer o nariz contra a reforma trabalhista quando – novamente – se tem um patrão malvadão que assina a sua carteira de trabalho. Muitos de nós já negociam livremente com parceiros que nos dão trabalho, e há décadas. Sabemos que funciona, como funciona e não precisamos de tutela.

É fácil protestar contra as terceirizações quando não se leva o pão para casa com o faturamento de uma empresa terceirizada.

É fácil ir para as ruas pedir a saída da Dilma e o escambau para depois fazer o jogo desonesto da CUT. Ou você não sabia que depois da festa viria o remédio amargo das reformas, inocente?

Porque difícil, meu caro e minha cara, difícil mesmo é o que vem por aí.

O renascimento do que há de pior na esquerda, assanhadíssimas com o clima de terra arrasada que pavimenta o caminho deles e que nós, os coxinhas, estamos construindo diligente e alegremente com as nossas próprias mãos.

A menos, é claro, que você pretenda escafeder-se na quinta à noite para aproveitar o super feriadão que você mesmo ajudou a criar. Nesse caso tem todo o meu apoio. É uma razão honesta.