Vem cá meu Frodinho, vem...

Vem cá meu Frodinho, vem…

Quando assisti — no cinema — à primeira parte de O Senhor dos Anéis, tive do filme uma impressão única. Tratava-se do mais belo filme chato de toda a história do cinema. A impressão foi reforçada nos capítulos seguintes, desta vez na TV a cabo, que eu não sou bobo de pagar para dormir no shopping duas vezes.

Depois de ver a pelo menos três dos filmes da série (não sei se houve mais que isso — toda a coisa é muito confusa), descobri o problema de toda a produção. É esse tal de Frodo.

A começar pelo nome, radical do verbo froder, que se existisse designaria com perfeição o comportamento do sujeitinho.

Oberve bem: é o mariquinha do Frodo que estraga o filme.

Frodinho é um consumado babaca. E são suas babaquices que impõem o ritmo sonolento ao filme. Repare: ele sempre faz a coisa errada. Todas as vezes que não é pra olhar pra alguma coisa, ele olha. Sempre que algum elfo, duende ou sei lá o que lhe diz pra não ir por ali, é exatamente para onde ele, olhos esgazeados, cara de sonso e passos trôpegos, se dirige. E toma desgraça.

Se, no meio de um deserto infernal, sua água acaba, e seu amigo gordinho lhe oferece, num ato de renúncia e indescritível sacrifício, seu próprio odre, o desgraçado verte o que resta da água pelo queixo, desperdiçando tudo. E nem mesmo diz obrigado.

É o mestre dos desmaios. E desmaia como uma virgem diante do sacrifício, mão viradinha na testa e tudo. Há uma cena — na qual ele supera a si mesmo nos desmaios — em que ele olha para onde não devia, no caso um olho de fogo cuja retina tem, sugestivamente, vaginal forma. Demaaais para o Frodinho. Desfalece virando os olhinhos, mãos reviradas, corpo despencando não sem antes rebolar sensualmente. Nenhuma diva de Hollywood conseguiria tanta perfeição.

Todas as vezes que seus companheiros marcham por terrenos íngremes e sulfurosos, Frodinho das candongas tropeça nas tamancas e cai. E ainda faz cara de sofrimento. Sempre que alguma coisa precisa ser feita com urgência, como por exemplo lançar um anel ao fogo meio metro adiante, o viadinho hesita, mostra o branco dos olhos e não consegue nada se não tiver a ajuda do gordinho.

Aliás, Tolkien fez de propósito. Em vez de, no começo da estória, encarregar aquele gordinho de nome impronunciável de levar o tal anel de cá para lá, deu ao Frodo a incumbência. O gordinho teria se saído muito melhor. Afinal, é ele que, durante toda a saga, coloca a bichaninha no caminho certo. o que mosta que todo mundo sabia o que devia ser feito pra dar cabo da maldita aliança, menos o inefável anãozinho.

E, para coroar tudo, depois de 7 1/2 horas de filme, Frodinho se despede dos amigos (nenhuma menina presente), com o olhar matreiro de quem se livrou da maldita argola. Olha para trás, sorri como uma monalisa transexual e embarca numa canoa em busca de outros sofrimentos.

Li O Senhor dos Anéis na adolescência. Havia um exemplar na biblioteca da extinta USIS, em Santos. Já achei a saga meio longa e chata. Mas no livro o tormento de Frodo era mais consistente, mais real e, sobretudo, mais… como dizer? Másculo?

Mas que fazer? Só mesmo um rabugento como eu, numa noite de frio e sem nada para escrever de interessante poderia levantar essa polêmica. Afinal, quem sou eu para discutir com o Oscar?