Serginho ataca outra vez

Não quis ouvir antes. Finalmente me chegou pela mão do Serginho o último álbum dos Mutantes (Haih or Amortecedor), gravado e mixado no estúdio da Granja Vianna (que vocês conhecem de outras postagens), e depois masterizado e publicado nos Estados Unidos. Não tem ainda no Brasil, mas vocês podem comprar pela Amazon.

Em algum momento chegará aqui. Talvez depois dos locais perceberem o sucesso que está fazendo lá fora, Europa incluída, cravando cinco estrelas nos billboards da vida.

É o primeiro disco de estúdio dos Mutantes em mais de trinta anos, com treze faixas inéditas.

A crítica estrangeira elogiou, e muito (é só procurar no Google e no YouTube). Para os brasileiros, entretanto, os novos Mutantes são apenas um pastiche da velha formação Sergio-Arnaldo-Rita. Morderão a língua.

Com um monte de composições de Sergio Dias em parceria com Tom Zé o resultado é um desbunde. Lírico, irreverente, poético, debochado e delicioso. Tem de rock a xaxado, de bolero a mambo.

O som e os arranjos são uma coisa à parte. Brasileiros da nova geração, crescidos com o tal rock-and-roll brasiliense precisam ouvir para entender por que foi em São Paulo que o rock tupiniquim nasceu. Faz, com raríssimas exceções capitalinas, o som planaltino parecer chinfrim.

A formação atual é quase a mesma do Barbican, gravado ao vivo em Londres e cujo show alguns de vocês viram comigo aqui em São Paulo. Sem Zélia e sem Arnaldo, a novidade é a presença de Bia Mendes, uma solução caseira – depois de muitas tentativas – que deu certo com sua voz e interpretação peculiares. Simone Soul, competentíssima como sempre, atuou na percurssão e também como sound designer.

O demais são velhos componentes do grupo: Dinho Leme (da formação original), Henrique Peters, Fabio Recco, Vinicius Junqueira e Vitor Trida. Este último, menino versatilíssimo, ainda assina uma das faixas sozinho e uma outra em parceria com Sérgio.

Do álbum, que começa com um discurso de Putin ao exército russo e fecha com um pot-pourri de hinos nacionais, recomendo particularmente Querida querida (um desejo por vitrina/uma moça por esquina/hoje eu te pego menina/ao me sentar na latrina), Teclar (Quando a saudade chegasse eu cortava esse esse/Em cada pedaço um anzol/ Só precisava de um guarda sol/ Eternamente contigo num branco lençol) e Bagdad Blues (Ali, ala, oh! Bagdad/as mães, as noivas de lá/crianças a cantar/com as pombas elas mamam/no pavio de nossas bombas/ali baba, ali baba ta lá).

Depois de uma turnê costa-a-costa nos EUA o show vai à Europa no segundo semestre. Depois, quem sabe… por aqui?

O trailer da produtora com uma ínfima palhinha do som (mau escolhida, por sinal), está neste link.