Risco

(Soneto XVII)

O seu amor me empresta sem demora
Que já vazio meu peito guarda o cofre
E qual lançada jóia a uma penhora
Meu coração não bate mais, só sofre

Amor empresta, mas sem cobrar juras
E nem me fale então em correção
E se arriscar-se não lhe faz segura
A mim eu sei fará uma exceção

E lhe ofereço como duplicatas
Os versos meus que inspiras em cascatas
E mesmo assim sem plenas garantias

E se pagar puder-lhe em horas tardias
Se a longo prazo e prestação pequena
Assino embaixo. Empresta-me sua pena?