Por quê não se calam?

Antigamente ocultavam-se como ratos os ladrões do nosso dinheiro. Não Mais. Na república socialista que o país esforça-se por tornar-se seguimos agora a tradição soviética dos gatos gordos. Luminares do regime locupletando-se às claras, com nome e sobrenome, e ainda fazem questão de, com o cinismo de quem conhece a passividade das baratas que populam a planície, justificar o assalto.

Estou falando de Artur Henrique, Ricardo Patah e Paulo Pereira da Silva. Estes senhores, CEOs da CUT, UGT e Força Sindical respectivamente, estão comemorando o fato de passarem, a partir de agora, a receber dinheiro do povo através do descarado mecanismo do imposto sindical.

Como se não bastasse, brindam também a decisão do pelego-mor Luis Inácio da Silva de vetar na lei o dispositivo que permitiria ao Tribunal de Contas da União fiscalizar a aplicação da riqueza subtraída ao bolso do trabalhador indefeso.

Os argumentos são preciosos. Os três locupletantes alegam que seria uma interferência do Estado nos sindicatos.

Pois bem, senhores: se querem autonomia, que vão buscar dinheiro em outro lugar. Esse dinheiro é meu e de meus concidadãos. Não é de vocês. Muito menos de um Lula qualquer. Não trabalho eu e todos os demais para sustentar as estruturas criadas e dirigidas por vocês. E, por tabela, sustentar também vocês e suas famílias.

Nós trabalhamos duro aqui em baixo. Não tem moleza. Não roubamos, não mentimos, não enganamos, não fazemos cafajestadas e não tripudiamos sobre os miseráveis deste país.
Sei que é demais conclamar suas consciências à prática da vergonha. Os senhores já passaram, de há muito, desse ponto. Mas poupem-nos, ao menos, de seu cinismo escrachado, de suas mal escondidas intenções, de seus falaciosos discursos.

Querem dinheiro para suas instituições que, diga-se bem alto, não são públicas? Trabalhem. Busquem no suor de suas camisas o pão com que alimentam as suas famílias. Mirem-se no exemplo daqueles pais e mães que retiram de suas mesas um dia de seu trabalho, roubado violenta e descaradamente para financiar o que não desejam fiscalizado. E, por não quererem que gente honesta os fiscalize, permitem-me vislumbrar os tenebrosos labirintos, os mordômicos descaminhos, os irreveláveis destinos que o dinheiro tomará.

Que sangrem o povo, admito, não são os únicos. E nem os maiores. Mas pelo menos munam-se de algum rubor nas faces, reservem alguma dignidade para refletir-se nos olhos de seus descendentes, e calem a boca.