Por que me ufano do meu país

Prestem muita atenção aos seguintes nomes:

Arnaldo Esteves Lima

Napoleão Nunes Maia Filho

Jorge Mussi

Felix Fischer

Laurita Vaz

Essas pessoas (?) declararam publicamente que não é crime abordar uma criança de 12 anos de idade na rua, levá-la a um local qualquer e fazer sexo com ela. Desde, é claro, que a menina seja uma puta.

Os cinco indivíduos acima indigitados são (pasmem!) a totalidade de ministros da quinta turma do Superior Tribunal de Justiça do Brasil. A mais alta corte do país para questões não constitucionais.

A história:

Dois sujeitos abordaram duas meninas, de 12 e 13 anos, em um ponto de ônibus no Mato Grosso do Sul. Pagaram 80 Reais e fizeram sexo com elas.

A tese da defesa é revoltante. Alegaram que os dois homens não sabiam que as duas eram menores de idade (como se isso fosse possível), e que elas já eram mesmo, claramente, prostitutas.

Recorto alguns trechos da sentença do chefe da… perdão… do meritíssimo juiz relator, o tal Arnaldo:

“…uma das questões a ser observada são os antecedentes da vítima, e que esta é que pode ter dado causa à prática do crime, consentindo no ato sexual, por ter capacidade de discernimento suficiente para esse fim.”

“…já que nesse momento pode ser a própria menor que o atraiu para essa relação sexual, e que as prostitutas esperam o cliente na rua e já não são mais pessoas que gozam de uma boa imagem perante a sociedade.”

“…toda vez que um homem for praticar uma relação sexual com uma menor e esta já for uma prostituta, torna-se imperioso reconhecer que este apenas aderiu a uma conduta que hoje não pode ser considerada como crime…”

“A ausência de certeza quanto à menoridade da “vítima” exclui o dolo, por não existir no agente a vontade de realizar o tipo objetivo.”

Não foi uma decisão técnica, de vez que contém declarações prenhes do mais deslavado cinismo, destila preconceito e vira as costas à realidade da infância pobre. E nenhum dos juízes (!?), entre eles uma mulher, sequer protestou. Foi unânime.

Nenhum dos epítetos que uso para referir-me aos membros do Poder Judiciário quando discordo deles se aplica aqui. São carinhosos demais.

Os cinco ignorantes por certo assinaram o acórdão e foram para suas casas com a consciência em paz. Porquê é assim que agem aqueles que nem mesmo o mais baixo, sujo, desonroso e vil adjetivo da língua portuguesa consegue alcançar.