Piada de advogado

Depois dizem que eu encrenco com advogados. Encrenco mesmo. Principalmente com certos advogados funcionários públicos, que ganham (e muito bem) meu suado dinheirinho para fazer besteira. A mais recente conjura a subvariedade dos togados com os barnabés de um tal ministério público, todos habitantes do poder judiciário. Os “doutores” certamente sabem a diferença entre um Audi A6 e um Audi A3, até porque esses carros populam suas riquíssimas garagens. Mas nunca botaram os pés num avião

Então, na falta do que fazer em um país tão justo, resolveram meter o bedelho no que não entendem e proibir “aviões de grande porte” de operar em Congonhas. O ilustre rábula público cita especificamente Boeings 737-800 e Fokkers 100. É fácil entender por que. São duas marcas de avião que já caíram por aqui.

Se Suas Sumidades quisessem de fato proteger o distinto público, teriam citado o Boeing (leia-se Gol) e o Airbus (leia-se TAM), dois aviões equivalentes, e os maiores operando no aeroporto paulista. Não que a operação dessas aeronaves não seja segura em Congonhas, mas pelo menos daria alguma coerência ao despacho do burocrata. Incluir o Fokker 100, pássaro miudinho nesse galinheiro e desenhado para operar em aeroportos do interior é coisa mesmo de quem não faz a lição de casa, e aponta para uma mera busca de holofotes.

Imaginem o horror que se apossaria das meritíssimas almas dessas inefáveis criaturas, se soubessem que as duas pistas de Congonhas medem 1.942 e 1.435 metros, contra 1.323 e 1.260 do Santos Dumont, no Rio de Janeiro. E mais: que as pistas 20L e 20R do Rio apontam diretamente para o Pão de Açúcar, obrigando os aviões a uma manobra contorcionista logo após a decolagem — momento crítico do vôo — para não se esborrachar no turístico rochedo.

Congonhas precisa sim de obras para evitar aquaplanagem em dias de chuva. O sistema de drenagem é precário e a pista precisa de novas ranhuras. Qualquer hora dessas um jato ainda vai varar a pista e despencar sobre a Avenida Bandeirantes. Melhor fariam os advogados-pagos-com-nosso-dinheiro se forçassem a Infraero a tomar essas providências rapidamente, em vez de proibir sumariamente — e de forma errada — as operações no aeroporto.

E pensar que pagamos o salário de toda essa gente.