Pequeno tratado de guerrilha cibernética

Pequeno tratado de guerrilha cibernética

Defender uma causa nem sempre é fácil. A atual batalha em que estamos todos empenhados neste momento por um Brasil minimamente melhor para todos os brasileiros não requer apenas presença nas ruas e protestos nas redes sociais.

É preciso também adotar algumas posturas baseadas na razão, quanto menos não seja para evitar repetir os métodos e os meios usados exatamente por aqueles cujo comportamento estamos a criticar.
Assim, pois:

1) Enfie na cabeça que fora da política não há salvação. Você pode ter nojo de alguns políticos, mas não fique repetindo que tem nojo da política. O sistema de organização social em que escolhemos viver, a democracia, passa pela política. E por consequencia por políticos, partidos e instituições políticas. Quando você vai às ruas – ou apóia os movimentos de rua mesmo ficando em casa – o que acha que está fazendo? POLÍTICA! Agora pare e pense: você tem alguma alternativa à política e aos políticos para tomarem conta do governo? Os militares? As milícias? Os ditadores?
Os ladrões adoram que você vire as costas ao sistema político. Assim eles podem fazer a política suja deles enquanto você docemente vomita.

2) Há políticos honestos. Vou repetir. Políticos honestos e sérios existem. O que não existe são políticos puros. E os que dizer ser puros são os mais perigosos. Procure. Pesquise biografias. Examine as atuações. Dá trabalho sim.
Não acredite em tudo o que os adversários do sujeito dizem. Fulano roubou? Como sabe? Quem disse? Está razoavelmente demonstrado ou pode ser apenas um boato? Vá mais fundo. Seja um jurado. Convença-se.
E sobretudo não coloque todos no mesmo saco de gatos. Nem mesmo os gatos são iguais.

3) Não propague uma acusação pelas redes sem antes verificar minimamente a fonte e a veracidade da informação. O Alckmin disse que professores devem trabalhar só por amor? Ou teria sido Cid Gomes? (sim, foi). O Lula roubou um crucifixo? Foi mesmo? Pesquise direitinho e entenderá por que fiquei – e ainda estou – em dúvida.

4) Não esconda o nome de políticos ou partidos com os quais eventualmente simpatize e nos quais votaria hoje. É uma covardia que os petistas, por exemplo, não exibem. Fique de olho nele mais do que nos outros. Não exija dele o que não seja razoável. Dou um exemplo pessoal: voto em Roberto Freire em qualquer eleição. Mas não gostei da atitude dele numa discussão em plenário com uma deputada adversária. Não perdeu meu voto, mas estou fazendo marcação cerrada.

5) NÃO TENHA MEDO DO PATRULHAMENTO. Defenda suas idéias e posições sem temor, mesmo que isso contrarie a corrente política que defende as mesmas coisas que você. Procure ser honesto. Intelectualmente honesto. Não gostou da atitude dos promotores de São Paulo ao pedir a prisão de Lula? Diga. Acha que constranger uma pessoa pública em um restaurante é errado? Diga. Acha que o Haddad fez bem em reduzir a velocidade nas marginais? Diga. Lembre-se de que é isso que distingue você dos fanáticos, dos irracionais. Mas cuidado: esteja preparado(a) para dizer claramente por que razão pensa assim ou assado.

6) Por último: não mande a Dilma tomar no cu em público. É horrivelmente deselegante e feio. Não foi isso que sua mãe lhe ensinou.