Pequena prece a um amigo

Às vezes, meu amigo
a velha carpideira
rapaz e traiçoeira
Não nos tendo podido roubar a juventude,
nos rouba a juventude alheia

às vezes o cedo perde o sentido
a vida desmente o feto
a morte retira o chão
mas a vida também o teto
para que possamos olhar para o céu

Velhos,
engolimos perdas
como a um velho sói
Mas às vezes, velho amigo,
às vezes dói.