Norma

A prima Norma nos deixou. Mais um movimento da natureza que faz expirar os mais vividos para deixar o mundo para o verde novo.

Norma é uma daquelas pessoas que fazem parte da nossa infância e ela é responsável por um dos meus vícios. Ainda bem criança, anos 50, minha mãe, João e eu fomos passar um fim de semana em sua casa em Santos. Foi um fim de semana memorável. A certo momento, pela manhã, junto com Carlinhos e Clóvis, ainda do meu tamanho, Norma coloca à minha frente um prato com uma papinha diferente, bem diferente das que eu estava acostumado no desjejum. Eu estava sendo apresentado à farinha láctea, um sabor tão novo, tão acetinado, tão agradável às minhas papilas que eu não só não esqueci como continuo, até hoje, colaborando com os cofres da Nestlé.

Muito tempo depois, já fim dos anos 80, lembro-me de rir muito com ela ao comer uma torta em sua casa em Paranaguá. De repente trinco os dentes em nada mais, nada menos, do que um parafuso. O ingrediente havia caído na massa ao soltar-se do interior do bom e velho Cosmopolita.

O que muitos não sabem, mesmo na família e que talvez surpreenda, é que Norma não era Norma, era Hilda, numa dessas brigas entre nomes de bebê entre pai e mãe que fizeram com que fosse registrada com um nome e vivido com outro.

Um beijo enorme, Norma. Até breve.