Mas vale a pena…

O aeroporto continua uma bosta. A começar pelo nome (nunca achei o General de Gaulle lá essas coisas). É confuso, mal desenhado, tem umas passagens subterrâneas deprimentes, é escuro e aquele teto preto deixa tudo parecendo uma boate em fim de noite, quando a luz é acessa e os garçons botam as cadeiras sobre as mesas. E é pessimamente sinalizado.

O trem que liga o aeroporto à cidade contrasta demais com os alemães. Parece mais os nossos da CPTM. E o metrô é encardido, cheio de manchas de umidade no teto e sem escadas rolantes. Demais para um país que gasta dinheiro com bomba atômica.

Mas depois de tudo isso largo as coisas no hotel, pego a Rivoli, dobro à esquerda na Carrousel, passo em frente às controversas pirâmides de vidro na entrada do Louvre. Eu gosto, já fazem parte do cenário. Chego ao rio e o passo, antes estugado, relaxa. Muita gente, muito riso. Caminho devagar, sentindo as luzes, o frio, as pessoas. Antes de La Cité, da Pont Neuf, atravesso aquele ponte de madeira e ferro, só para pedestres, não sei o nome. Fico parado lá no meio, ligo para casa, aviso que cheguei bem, morrendo de saudades. A Bia pergunta se estou vendo a torre, digo que sim, só a pontinha dela, fotografa pai, fotografa! Não Bia, que a máquina ficou no hotel, mas eu queria mesmo é que ela mesma estivesse aqui.

Dali ao bulevar Saint Michel é um pulinho, revisito meu boteco predileto olhando para a Notre Dame, comendo um espaguetti que aqui é França mas eu gosto mesmo é de comida italiana, e bebendo vinho da casa, nacional.

O aeroporto é uma merda. Mas nenhum outro leva a uma cidade como esta.