LASM

Minha noção de amizade pode ser muito peculiar às vezes. Tenho cá um punhado de pessoas que guardo na lembrança com especial cuidado. Algumas delas nem sabem disso: muito pelo contrário. Umas poucas poderiam mesmo pensar que eu tenho razões para fugir delas – por alguma circunstância passada ou pela aparência do relacionamento – mas não poderiam estar mais enganadas.

Sou ortodoxo. Amigo é para sempre. No matter what. Por isso me dou ao luxo de desaparecer. Acredito que amizades sobrevivem a ausências. Não sou de ligar, de escrever. Às vezes pergunto. – Como está fulano? – Tem visto fulana?

Há um cordão de prata ligando pessoas que se querem bem e que se respeitam. Um cordão que não se rompe e que pode ser esticado ao infinito.

As marés da vida sempre trazem à praia esses náufragos da nossa presença, posto que jamais os tivemos por ausentes.

Hoje encontrei um desses amigos. Ouvi meu nome chamado no corredor do Villa. Voltei-me e — surpresa e alegria — lá estava Luiz Antonio. Se não me falha a memória não nos víamos pessoalmente desde o funeral de um amigo comum.

O Tónio é uma dessas pessoas tranqüilas, de fala mansa, de riso fácil mas significativo. Foi meu cliente, depois meu chefe, depois meu cliente de novo, há muitos anos. Outro dia mesmo mandei-lhe em pensamento um abraço através de sua mulher, a Márcia, quando ela dava uma entrevista à CBN.

Conversamos o quê… meia hora? Tomamos um café. Comprometemo-nos a almoçar juntos antes de minha próxima viagem. Prometo que vou cumprir.

Encontrar velhos amigos. Tem jeito melhor de ganhar o dia?