Incalculável

(Soneto XV)

A ânsia que revela o meu limite
Da fúria do desejo derivada
Fraciona-me a razão, a mente turva
Tocando-te na área sob a curva

Triângulo que a minha mão empalma
Meus dedos qual a tua bissetriz
Extraem sabe lá se da tua alma
Fluidos a verter-te da raiz

E faz-se no teu corpo a interseção
Do ventre teu e meu o coração
Afoito o teu e o meu a catenária

Ai! De real te faço imaginária
Pois desiguais são tanto nossas gulas
Que o quanto quero amar-te, não calculas.

Imagem: Intimacy: The Sensual Essence of Flowers , de Joyce Tenneson