I vamu qui vamu…

É desalentador. Amigos meus estão a dizer que não tem jeito, o Brasil é assim mesmo, Lula passará e virá outro, tão bom ou ruim quanto. Que não devo me preocupar com um assunto rastaquera como a política. Afinal eu escrevo tão bem, faço até poesia!

Além disso, como posso me queixar? Olhe ao redor, Ernesto: veja como anda boa a sua vida. Filhos na escola, dinheiro para uma cervejinha com os amigos, picanha no fogo, carro, emprego. O que mais você quer? Sai dessa!

É claro que desequilíbrio fiscal interno, abandono administrativo e desmoralização legislativa são coisas etéreas, de pouca ou nenhuma conseqüência para nós mortais aqui da planície. Árida discussão entre políticos. Eles lá e a gente cá.

Há um preço a pagar por todas essas coisas. E não serão eles a pagar. Serão nossos filhos.

Meus queridos, eu tenho filhos. E o futuro deles — pelo menos nestas plagas — não é lá grande coisa. A conta virá. Eu estarei caquético, na Suíça ou morto.

Explicar como isso vai acontecer e porquê? Deixa pra lá. Ninguém ia ler mesmo.

Garçom, psiu! Mais um aqui!

Ilustração: O flautista de Hamelin, de Sponholz
www.sponholz.arq.br