Haja rabujice

Comunista é um bicho pentelho. Ou de pentelho, já que são chatos mesmo. Quando o bicho envelhece sem sair de 1968, ainda levando bolinhas de gude no bolso para matar a saudade, tremelicando ao ouvir a Internacional e ficando com aquele olhar molhadinho de emoção ao passar pela Maria Antonia, a coisa é grave.

Dois sites bastante conhecidos por sua isenção, o Brasil247 e o UOL, publicaram matérias malhando os ucranianos, acusando-os de xenofobia e fascismo. Até aí eu compreendo, de vez que houve mesmo episódios recentes envolvendo a federação ucraniana de futebol passíveis de discussão.

Mas cavoucar a História, de maneira torta e com má fé, a ponto de dizer que o time ucraniano conspurca o sagrado solo da mãe Rússia pelo passado do seu país, é um escárnio.

É claro que os preclaros jornalistas não mencionam que a Croácia, então parte da Iugoslávia, sofreu sob o tacão dos seus amados soviéticos nas mãos do títere comunista Josip Broz Tito. É claro que ao clamarem que Stalin libertou o mundo do nazismo dizem não apenas uma meia verdade, como também se esquecem de quem foi o sanguinário ditador. É claro que ao glorificarem a França e acusarem os croatas de colaboração com os nazistas escamoteiam o manjadíssimo colaboracionismo francês.

Se é para usar a História com o fim de execrar um time de futebol, nenhum deles escapa. Os espanhóis cometeram genocídio, os portugueses pilharam o Brasil, os ingleses e os belgas acabaram com a África, e por aí se vai. Porque então não misturar de vez política com esporte e desmerecer a França por ter decapitado Lavoisier? Ou quem sabe devemos meter Napoleão no imbróglio?

História e política são coisas sérias, deixemo-las de lado no jogo de domingo.

Vamos torcer, seja pela França, seja pela Croácia. Futebol é entretenimento, show-business.

O resto é mimimi de gente que consegue ser mais rabugenta do que eu, e isso nem é fácil.