Fora dos trilhos

Assertiva saiu dos trilhos. Não foi de uma vez: aconteceu aos pouquinhos ao longo dos anos até chegar ao ponto de desagradar seu mais importante leitor: eu mesmo.

Quando nasceu o blog tinha a finalidade de ser um espaço de expressão pessoal. Um lugar para os meus escritos sem compromissos ou contenções. Onde angústias, aspirações, onirismos e idéias pudessem ser expostas com a alma do poeta ou com o diabo no corpo, a depender. Onde eu pudesse usar desavergonhadamente substantivos como onirismo.

Insatisfeito com o blog resolvi relê-lo. Continua bem humorado, razoavelmente legível, às vezes atual, medianamente gostoso. Ainda tem até alma, embora seja cada vez menos a minha.

O Assertiva não foi feito para evoluir com o mundo e com as coisas. Foi feito para me acompanhar. Na evolução e no retrocesso. Na saúde e na doença mentais. Na riqueza e na pobreza de espírito. Até que a Telefoníca nos separe.

Assertiva é um legado. Quando no futuro um descendente meu o ler, quero que — para além da poesia e do conto – entenda como fui, o que pensei, pelo que lutei. Como vivi.

Assim, ou esta joça muda ou fecha.

(Aplausos entusiasmados do leitor número um).