Feliz Páscoa

(Soneto XVI)

Agarra pelo rabo o seu coelho
Exige o que lhe deve em chocolate
E se lhe nega o doce o tal pentelho
Não deixe se embrulhar em um debate

E minta com maior cara de pau
Que amargo e duro é seu dia-a-dia
Exige o seu quinhão desse cacau
Mister é adoçar tanta agonia

Implora só um ovo, ovo pequeno
Exibe-lhe um frasco de veneno
Que berre não temer a própria morte!

E a persistir o bicho nessa tinha
Pega-lhe o rabo e corta-lhe a pontinha
Põe num chaveiro — dizem que dá sorte!