Farinhas do mesmo saco

É natural que o mundo tenha achado muita graça na sapatada que deram no Bush. Até perdoou o agressor por entender que o sujeito teve sua terra invadida sob falsos pretextos, e que o alvo não foi o Presidente dos Estados Unidos, mas o homem mesmo.

Eu não sigo a boiada assim tão facilmente. Mais simpatizaria com o agressor se tivesse tido a coragem de sapatar Sadan Hussein em seus tempos de glória. Duvido que o fizesse. Quem tem ânus tem medo.

Os americanos chiaram pouco, tal a vergonha que andam sentindo por terem eleito o dito cujo. Mas duvido que lá no fundo não tenham ficado incomodados. Eu mesmo, que me envergonho de Lula, ficaria revoltado se visse o presidente do meu país agredido lá fora daquele jeito. Mas, como disse, não costumo nadar com a maré.

O próprio Lula embarcou nessa e de maneira inapropriada fez piada com o episódio no convescote da Costa do Sauípe semana passada. Foi o único chefe de estado a fazer isso em público. E por motivo torpe: apenas para se exibir para os coleguinhas de cafajestada. As viúvas de Stalin pelo país afora adoraram.

E por falar em Sauípe, me preocupa cada vez mais o avanço da diplomacia fanfarrã do lulopetismo. Que Lula atrai e cultiva más companhias a gente sabe. O resultado desse hábito no exercício da presidência, contudo, é preocupante. Ao contrário do que apregoa Brasília não estamos atraindo os países andino-caribenhos para nossa esfera. Antes estamos sendo atraídos por eles. O governo Lula passa a gravitar perigosamente ao redor desses países governados por tiranetes ou reles assassinos. Mas o Brasil não é o governo. O Brasil é maior que tudo isso, não é? Não, não é. A popularidade de Lula é a prova de que o Brasil não é um país grande e forte o bastante para trilhar seu caminho a despeito do reizinho de plantão.

-oOo-

Enquanto isso, aqui na província, Serra continua sua subserviente marcha em direção ao planalto central. Incapaz de retirar do Governo Federal o dinheiro para construir o que falta do Rodoanel (o BNDES prefere financiar caloteiros hispano-americanos), o ilustre governador quebra a palavra dada por seu partido e institui a cobrança de pedágio na rodovia.

A CCR (leia-se Camargo Correa) tão logo ganhou a boquinha tratou de construir as praças de cobrança em tempo recorde e colocar uma placa onde dizia que a estrada agora era dela. Chiei. Não sei se foi por isso que a retiraram. De qualquer modo é um negócio da China. Você é autorizado a encurralar o motorista, forçá-lo a pagar R$1,20, embolsar uma fatia e dar o resto para o governo do estado. Com a obrigação, é claro, de manter sem buracos uma estrada novinha e com pavimento de concreto.

E mais se diga, em benefício dos engenheiros da Camargo Correa, que a sofreguidão em arrancar o dinheiro do povo fez reluzir toda a sua incompetência. O número de cabines é insuficiente no acesso à Castelo Branco, provocando longas filas todas as manhãs.

Mas a obra prima mesmo é a praça de pedágio da pista externa na saída da Raposo Tavares. Mais parece desenhada por um membro da prestigiosa comunidade dos umanistas. Há apenas uma passagem para os usuários da cobrança automática – o Sem Parar – e ela é a última à direita. Cem metros à frente, uma bifurcação. Os motoristas com destino a São Paulo cruzam toda a largura da praça em alta velocidade, à frente dos que acabaram de sair das cabines de cobrança. Adrenalina pura. Eu mesmo já participei de duas quase-colisões nesse lugar. Para piorar, as próprias cabines impedem a visão do tráfego à sua direita. Nenhum “engenheiro” da CCR pensou em instalar duas passagens automáticas, uma de cada lado, com sinalização apropriada.

E enquanto a gente se ferra aqui embaixo o Serra vai engenheirando a eleição de 2010 com o apoio ao fim da reeleição, dando calote nos precatórios, e sobretudo poupando Lula e o PT, que ele não é bobo.

Acontece que eu também não sou. Estou sem candidato para 2010.