Elizete e a virada

Estou de namorada nova. Chama-se Elisete (com s), tem voz insinuante e me leva para onde eu quiser. Ou quase.

Sábado pegamos o carro, Bruno e eu, às duas da madrugada. Íamos
ao centro da cidade, lugar deserto e tenebroso. Com medo de ficarmos perdidos na cracolândia, levamos a Elisete junto. Ela conhece bem o pedaço.

Até que Elisete fez tudo direitinho. Vira aqui, vira ali, e a gente
chegou. Ou quase. A idéia era assistir o show dos Mutantes na Virada Cultural de São Paulo. Não deu nem para chegar perto, como vocês podem ver pela foto do local.

Daí resolvemos partir para o plano B: jantar no Genial. Fechado, como aliás estava a Vila Madalena todinha. Parece que a virada cultural conseguiu seu objetivo: enxugar todo mundo dos bares, atraídos por vinte e quatro horas ininterruptas de música, teatro, exposições e atividades várias por toda a metrópole.

Às quatro da manhã, perdidos e frustrados, desenvolvemos rapidamente um plano C: passar no Pão de Açúcar da Panamericana, detonar a carteira com boa comida e fazer em casa.

Depois apertamos a tecla “Casa” da Elisete, só de gozação.
Ela acordou: “Vire na próxima à direita e depois dirija
por mil e trezentos metros”. Eitcha tecnologia!
Em casa, seis horas da manhã, grelhamos dois enormes hambúrgueres de filé mignon do Wessel. Os outros habitantes chiaram, mas fazer o quê?