Drops divinos

Não vejo com bons olhos a moda recente de desconstrução da figura de Deus. Nada contra ateus que apenas exercitam seu direito de pensar. Nem a favor do Deus bíblico, antropomórfico, no qual não acredito mesmo. Mas quando cientistas se enchem de raiva para demonstrar a proibida (pela ciência) inexistência de alguma coisa (caso de Dawkins) ou jornalistas aproveitam a conjugação de um islamismo fanático combinada com um governo igualmente impregnado de fervor religioso para se promover (Hitchens), eu torço mesmo o nariz.

Por isso comecei a ler com muita desconfiança a entrevista do matemático John Allen Paulos na Veja. Mas foi uma grata surpresa. O sujeito, um sapateiro que não vai além das chinelas como manda a boa educação, trata do assunto à luz da lógica. Seu livro parece apontar as inconsistências (muitas) do pensamento religioso a respeito do Homem com serenidade e até humor.

Digo “parece” porque não li o livro. Mas já estou encomendando.

Uma coisa que despertou minha curiosidade foi o fato de que, lá atrás na noveleta Pecado e Capital (que escrevemos Flávio Ferrari e eu), há uma passagem que aponta, justamente, uma dessas inconsistências. Está no capítulo em que Gabriel, um anjo, se enche de cuidados para explicar a Jailton que Deus afinal não poderia existir à luz do raciocínio.

A demonstração não é minha: foi apontada por Pietro Ubaldi e talvez mesmo por outro antes dele. Mas gostaria de comparar a explanação do matemático com o que está escrito lá.

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Vá entender esse tal de mundo corporativo e de finanças. Eike Batista está sendo cantado em prosa e verso. O sujeito é uma fera: conseguiu embolsar uma nota preta de (incautos?) investidores vendendo o que não tem. E nem se sabe se terá. Eu particularmente acho que essa coisa está mais para Paulipetro que para Petrobrás. De qualquer modo, nunca acreditei nessa coisa de dinheiro fácil ganho honestamente. Ou o homem é um gênio mesmo, ou vai estar emaranhado em alguma operação Mar Profundo da Polícia Federal algum dia desses. A conferir.

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E por falar em Eike Batista, faço uma ilação maldosa e sem fundamento sobre uma coincidência que não chamou a atenção de ninguém até agora. Há algum tempo foi Haroldo Lima da ANP a dar com a língua nos dentes sobre (então supostas) descobertas de petróleo pela Petrobrás na bacia de Santos, levando o mercado à loucura. Na semana passada, poucas horas antes do senhor Eike e sua OGX irem à bolsa, foi a vez de Carlos Lupi (nosso polêmico ministro do trabalho) fazer o mesmo em Genebra, desta vez antecipando outra suposta descoberta.

Em ambos os casos foram todos levados a pensar que era cortina de fumaça para nublar algum escândalo do governo Lula da Silva. Pergunto eu: foi mesmo?

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Ainda sobre despautérios corporativos, a Management Excellence em parceria com a revista LatinFinance divulgou a lista das corporações de melhor governança corporativa (portanto transparentes e éticas) da América Latina. As três primeiras colocadas são as tupiniquins CPFL, Gol e Aracruz. Fico orgulhoso, mas pergunto: não foi Nenê Constantino quem esteve enrolado naquele escândalo do Governador Roriz lá em Brasília? E não está a Gol enrolada agora entre as tramas das negociações de compra da Varig? Tudo bem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas nunca ouvi falar de um mosteiro dirigido por um sátiro onde não houvesse sacanagem. Com a palavra a tal de Management Excellence…