Comemorar o que mesmo?

Deixar de fumar me deixa de mau humor e eu preciso descontar em alguém. De preferência alvos impessoais, como países ou planetas. Depois do arrogante Estado Espanhol foi a vez da França.

Os caras estão comemorando a queda da Bastilha. Até aí nada demais: a gente também faz feriado para comemorar equívocos históricos no Brasil.

Mas ver político e intelectual discorrendo sobre a importância da revolução francesa para o progresso da humanidade me dá vontade de vomitar.

Mesmo para a França, o melhor resquício da revolução foi a desculpa para ter uma data nacional que não fosse Le Magnifique Jour du Sacy Pereré ou La Patriotique Semaine des Pommes Frites.

Uns espertinhos ávidos por poder invadiram o quartel, meteram a mão nas espingardas, cortaram as cabeças da realeza e deitaram-se nas banheiras perfumadas dos palácios enquanto o povão montava guarda lá fora.

Gostaram tanto da brincadeira que não pararam: meteram na guilhotina quem lhes desse na cabeça (Lavoisier, que sozinho valia mais que todos eles, incluído). Fizeram um grande acordão de alternância de poder com os banqueiros e ricaços remanescentes.

E o povo sifundo do lado de fora da festa, sem grana e sem glória (Francês adora uma gloriazinha nem que seja de escrivaninha, como DeGaulle).

Daí chegou um baixinho enfezado chamado Napoleão, mandou todo mundo praquele lugar, ditadura por ditadura fundou a sua própria e ainda se intitulou Imperador (que rei era pouco) só pra gozar com a cara da revolução. Que aliás acabou ali mesmo.

Ah!, esqueci de dizer: mas que a República tinha bons peitinhos, lá isso tinha.