Cheiro de mato

Cheiro de mato

Adivinhado pela porta aberta
o cheiro da tua roupa me apunhala,
perfume do teu corpo que ainda fala
com meus sentidos uma fala incerta.

Tonta, perdida, minha dor desperta,
põe-se de pé com sua garra fria;
e a delicada relva onde dormia
transmuta-se em voraz floresta.

E dela ouve-se feroz rugido
de vendaval, que varre as folhas mortas,
de cada dia de um amor mendigo.

Recolho com as mãos um pouco delas,
das folhas secas com que não te importas:
Por que teus cheiros sinto ainda nelas?