Branco azedo

Quisera ser
o trisneto de um negro retinto
um bantu de boa cepa
um cruzador de savanas
de lombo a torrar ao sol
sem sorvete nem cerveja
nem sombras nem nada

Ou então
bisneto de silvícola
não de um folgazão da floresta
mas de um bugrão bem curtido
de um litoral nordestino
de comer peixe com coco
sentado n’areia escaldante

Mas não, que desgraça!
Tinha eu que ser branquelo
europeu de frias terras
afeito à guerra e à bala
mas covarde pra enfrentar
de qualquer maneira esperta
este calorão
de merda