Drops de cupuaçu

Empresários paulistas assinam pacto de “consumo consciente” dos recursos da Amazônia. Parece que alguém descobriu que o estado de São Paulo é que acaba com a natureza por lá. Gente graúda aderiu, como o Pão de Açúcar, Wal-Mart e JBS. Os bancos ficaram de fora como esperado, já que esperar consciência ambiental da Febraban é querer demais. O curioso é que as ONGs – que trabalharam no projeto – recusaram-se a assinar o documento. Curioso para quem acredita em ONG, claro.

As desculpas foram muitas, e esfarrapadas como sempre. Mário Menezes, de uma certa Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, alega que deixar de comprar carne de produtores na lista suja do governo não é o bastante. E por isso não assina. Luis Fernando Guedes Pinto da Imaflora diz que ONG não financia essas coisas e que por isso o papel delas é só monitorar o pacto. E por aí se vai.

À primeira vista parece certo. Afinal – em tese – ONGs não compram nada da Amazônia para vender em São Paulo. Então seu papel é mesmo o de fiscalizar o cumprimento do acordo. Mas na prática a coisa é outra. Assinar significa tomar algum tipo de responsabilidade. Virar telhado se a coisa não funcionar. Dar o seu aval. E isso ONGs – principalmente ambientais – não fazem de jeito nenhum.

Algumas ONGs adoram encher o saco dos outros, apontar as mazelas alheias, fazer barulho e remunerar “executivos do quarto setor”. Mas quando chega a hora de dar a cara a tapa, correr o risco de ser cobrada, nem pensar.

Aposto que se fosse algum convênio para engordar o caixa com dinheiro do governo as canetas estariam prontas e ávidas.

Como dizia meu avô, fugiram do pau.

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Eduardo Suplicy não falava direito, vocês se lembram? Então o homem fez um esforço, trabalhou com uma fonoaudióloga ou sei lá o quê, e hoje é um orador compreensível. Pois está na hora de algum marqueteiro de Dona Marta dizer a ela que também está na hora de procurar ajuda. Aquela boquinha torta, aquele ar de cínica superioridade (não que ela o seja, longe de mim pensar isso) precisa de conserto. Digo que muito da rejeição à moça vem daí, que eleitor é cheio de sugestividades subliminares, como o Kennedy descobriu no século passado.

E tem mais. Talvez a Marcia (Cavallari) possa esclarecer, mas acho que há também uma grande rejeição à candidata Marta de parte de homens mal casados, divorciados ou sofredores em geral. Se tem uma coisa que a petista lembra de imediato em qualquer debate, entrevista ou agressão ao adversário é uma mulher discutindo relação depois que a relação já foi mesmo para o brejo. E depois que perde o marido/namorado/amante ainda insinua que ele é bicha, por puro despeito.

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A eleição em Belo Horizonte está um gozo. Torço para que Aécio Neves entre pelo cano nessa. Marcio Lacerda deu uma de Marta: acreditou que só o prestígio do padrinho seria suficiente para entronizá-lo na prefeitura. Vai ter que trabalhar muito para reverter a situação. Aposto que não consegue.

Não que o Quintão seja melhor para Belô. Mas não deixa de ser irônico: ele se parece mais com o Aécio em campanha do que seu adversário, protegido do governador.

Aécio Neves é bom administrador, sem dúvida. Mas como político não passa de uma raposa de pêlo curto.

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E também torço por Fernando Gabeira. Se daria um bom prefeito não sei. Mas Eduardo Paes já mostrou que é um politicozinho de segunda e merece a derrota. Além, é claro, de deixar com cara de tacho o governador Sergio Cabral e o palácio do Planalto. Delíííícia!

E depois, convenhamos: O Gabeira não é a cara do Rio de Janeiro?