Assim há de se acabar

Assim há de se acabar

E soprará do sul catabático vento
trazendo o desastre para os maus
despencado os termômetros
mais de cincoenta graus!

E congelarão ímpios e pecadores
sambistas e gentios
horror de todos os horrores!
Tiritarão todos enfim
no derradeiro frio.
E o mundo acabará.

Salvar-se-ão os puros d’alma
e nórdicos de coração.
E ao céu com ar condicionado
alçados com justiça eles serão.

Ao resto,
todo o resto,
o inferno onde o diabo
brasileiro e fanfarrão
Adianta relógios todo dia
num infindo horário de verão
E lá enfim,
finalmente felizes
dançarão
eterno e derradeiro carnaval.