Amigos da onça

Há duas situações nas quais as pessoas nunca acreditam em mim.

A primeira é quando peço, em qualquer bar, boteco, cafeteria, cofeeshop ou outro muquifo qualquer o meu café com leite gelado. O garçon, garçonete, atendente, barista ou dono de botequim teima sempre em colocar leite morno. Incapazes de apreciar eles mesmos um bom café com leite gelado, não acreditam que o freguês queira dizer “o leite que está dentro da geladeira, imbecil”.

O segundo caso é quando peço minha carne mal passada. As pessoas acham aquilo meio nojento e acabam me entregando um bife rosadinho ao primeiro corte que, depois, toma aquela cor de sola de sapato sujo. E eu tenho que pagar por uma carne absolutamente sem graça.

Adiciono, agora, mais um descrédito crônico. Digo, defendo, aviso, advirto que filmes que não tenham um final feliz não fazem minha cabeça. Não adianta serem bem feitos, prenderem a atenção, mostrarem bundas formosíssimas, exibirem desempenhos geniais de atores laureados, etc., etc. Cinema para mim é diversão. Se eu quiser pensar minha biblioteca está cheia de filosofia, física, psicologia e pseudopsicologia.

Pois acabo de assistir o recomendadíssimo Ilha do Medo. Esse aí mesmo com o DiCaprio.

Grudei na tela por hora e meia até descobrir, decepcionado, que tem o mais bosta dos finais: o mocinho se fode no fim.

Mui amigos.