Acelerando fundo

Comentávamos ontem no Genial a fragilidade das editorias de ciência e tecnologia na imprensa brasileira.

Pois hoje sou surpreendido com uma extensa matéria na Veja sobre o Big Bang. Com direito a capa e tudo. Um encarte especial na verdade.

É louvável que a revista brasileira de maior circulação dedique algumas páginas à física, essa desconhecida. E com consultoria de gente do ramo o resultado foi até satisfatório.

Há uma ou outra bobagenzinha, mas que não comprometem o resultado final. Uma bem engraçada é a que afirma que um Boeing não pode se sustentar na órbita da Terra por que lá não tem ar (uma vez em órbita, um cavalo baio ou uma máquina de escrever podem sustentar-se lá. O fato do avião precisar de ar para sustentar-se na atmosfera não tem nada a ver com isso). Outra – essa imperdoável – é o uso do adjetivo “massivo”.

A matéria foi feita a propósito da entrada em funcionamento ainda este ano do LHC (Large Hadron Collider), uma máquina fantástica construída entre a França e a Suíça, montada em um túnel circular de 85 quilômetros de extensão (e não 27 como informou a Veja). Falei nessa máquina recentemente em Respirando Partículas. Toda a comunidade científica está com a respiração suspensa por que com ela nós poderemos saber… Bem, leia a reportagem de Veja.

Fico feliz em ver a física, a astronomia, a cosmologia divulgadas de maneira simples em uma publicação de grande penetração, e com tanta ênfase.

O LHC deve entrar em operação em outubro e, qualquer que sejam os resultados dos experimentos (confirmando ou negando o que a ciência teoriza sobre o nosso mundo), as consequências deverão ser espetaculares. Assim que resultados surjam, vou procurar traduzi-los para vocês aqui no blog, dentro das limitações da minha amadorística física.

Uma curiosidade: há uma corrente – pequena – de pesquisadores que anda advertindo para o risco que seria oferecido pela operação dessa máquina. Vão desde as costumeiras conseqüências ambientais até a eventual criação de antimatéria suficiente para abrir um buraco no planeta. Quem viver – se sobrar alguém – verá…