9 de julho

Orgulho-me de não existir em São Paulo uma avenida chamada Getulio Vargas. Não que não tenhamos logradouros públicos com nome de ladrões, pulhas, ditadorzinhos, calhordas e que tais. Mas a maioria leva nome de gente boa.

É pena que os jovens paulistas não saibam o significado da data. Pergunte e verá. Nesse ponto eu tenho inveja dos gaúchos. Cultivam sua história e tradição.

São Paulo teve a coragem de peitar um governo central dirigido por um caudilhinho de quinta categoria. Tão de quinta que até o bilhete do tal suicídio era uma fraude: não foi escrito por ele. Motivação econômica? Também, e por certo. Mas apontem-me uma guerra ou revolução que não tenha tida a sua?

Perdemos no tiro, mas ganhamos no objetivo: a constituição de 34. E por falar em tiro, até hoje acho a matraca um símbolo da criatividade bandeirante. Para quem não sabe, matracas eram a adaptação de um brinquedo que imitava o ra-ta-tá de uma metralhadora. Botamos muitos irmãos do grande estado do norte para correr rodando a manivela da traquitana.

Estou aderindo ao movimento Túnel 9 de Julho para sempre. Esse túnel foi recentemente rebatizado, na gestão de Martinha “relaxa e goza” Suplicy, com o nome de um médico, a pedido da família. Nada contra o sujeito. Mas não precisa apagar, ainda mais, a memória dos paulistanos.

E enquanto os paulistas esquecem o MMDC, o governo federal premia um bandido sem-vergonha como o Lamarca. E a filha ainda goza com a minha cara, dizendo-se “emocionada”. Bota trezentos paus na minha mão para ver se eu também não me emociono…

E vem mais por aí: depois de Lamarca e Cony, vamos ter Ziraldo e Dilma. Dizem que a mulher era guerrilheira. Alguém consegue imaginar o que aquela mulher é capaz com uma espingarda na mão?

E viva São Paulo!