A César o que é de César

Steve Wozniak

Um jovem de 16 anos, “fanático por tecnologia” segundo a Veja, escreveu para a revista elogiando o todo-poderoso da Apple, Steve Jobs. Classifica o executivo como “visionário da tecnologia que tem idéias fantásticas e consegue coloca-las em prática de forma magistral”.

Steve Jobs é de fato um gênio empresarial. Autodidata, diga-se de passagem. O homem nunca terminou a faculdade, muito menos de administração de empresas — o que deve deixar Stephen Kanitz com urticária. Ele abandonou o curso de física ao meio, e nunca se deu ao trabalho de fazer o tal de MBA. Garoto esperto.

Como idealizador do iPod, o prestígio de Steve chegou às alturas e, agora, ao apresentar ao mundo o novo produto da Apple, o iPhone, nem se fala.

Eu quero, contudo, chamar a atenção para uma coisinha importante. Steve é, ao fim e ao cabo, um administrador. Administradores, por melhores que sejam, não botam ovos. Engenheiros botam. O primeiro produto de sucesso da Apple, o famoso microcomputador modelo II, foi desenhado por Steve Wozniak que, à época, dividiu na mídia as glórias com Jobs.

Hoje, ninguém fala dos engenheiros e técnicos da Apple. Se Jobs é o pai da idéia, eles são os verdadeiros pais do produto. Não sei o nome do engenheiro-chefe da Apple. Acho que ninguém sabe fora da empresa. Mas garanto que sem ele e sua equipe o jovem missivista de Veja não teria tecnologia alguma para extasiar-se.

O iPhone apresenta soluções de engenharia tão simples quanto geniais — do tipo que faz o todos os outros engenheiros lamentarem: “Como não pensei nosso antes?”. Aquele negócio de girar a imagem simplesmente sacudindo o aparelho é óbvio de dar raiva. E a sua tecnologia já existe há anos — um pequeno e trivial acelerômetro. Mesmo na Palm Computer, líder mundial em palmtops, ninguém pensou nisso.

Administradores como Jobs, além de raros, são mesmo dignos de todas as honras (talvez mesmo et pour cause). Mas não vamos esquecer do batalhão de engenheiros que tornou a pequena maravilha possível.